No meio de todo o caos e na tempestade de ideias posso citar alguem como eu.
Alguem que deveria ser como eu.
Não digo eu como personalidade.
Digo eu como finalidade.
Ele era de certo uma pessoa calada. Se escondia nas própias sombras. Torcia por dias de luz. Esquecia de si no escuro.
Quisera tantas vezes encontrar alguém parecido com ele. Alguém que risse da morte junto com ele, alguém que visse graça em ofender a todos.
Alguém com grande potêncial em ser mediocre.
Todos os dias pensava em como seria ter uma vida em suas mãos. E joga-lá para longe.
Ele era desconectado de todos seus sentimentos. Sentia, as vezes, pequenos choques de sentimento. E era raro algo o acertar. Não que ele fosse forte demais.
Ele era distante.
Ele sentia sede por sangue. Sentia sede por sentir. Nunca se permitiu ser levado. Sempre racional de mais.
As vezes era covarde de mais.
Nunca foi corajoso o bastante.
Não se lembra de ter motivos pra se orgulhar.
Sempre fez pessimo uso de sua inteligência. Nunca pensou em não querer impressionar.
Além de tudo era simples.
E vendo tudo com simplicidade sempre tinha respostas pra tudo.
Sempre havia um modo de fazer.
Acreditava em liberdade. Acreditava em amor.
Assim como acreditava em Deus.
Acreditava por que nunca viu. Acreditava porque precisava de esperança.
Para ele, amar era tão intangivel quanto Deus.
Nunca quis ser melhor do que todos. Só do que alguns.
Queria ser melhor para ele, e ser justo com ele mesmo.
Queria fazer com que tudo desse certo. Mas como um personagem sem vida ele apenas seguia as ordens de seu narrador. Sempre deixava a maré levar.
Mais do que isso, se levava na maré. Por mais que o "rio" corresse para a direção errada, sabia que deveria apenas segui-lá. Não deixava que o rio o domasse.
Ele tinha cabelos, olhos, pernas, braços, coração. Ele tinha tudo.
E agora está morto.
Morto.
"Cada hora fere, a última mata"