Hoje comecei o dia com gosto de sangue na boca. Sem motivos aparentes, esqueço rapidamente.
Não há nada mais com o que me preocupar.
Nenhuma tormenta a enfrentar. Tudo está no seu lugar, não há nada que mude essa paz.
O monstro que habita uma parte de meu coração não dá mais sinais de vida. Minha esperança é de que ele continue lá.
Gosto de sangue.
Sinto uma ansiedade, como uma vontade reprimida. Jogo a culpa no ócio, na paz.
Não há nada para me preocupar. Nada.
E isso é um problema.
Sinto que foi uma falta de educação minha não relatar mais de minha vida a vocês, as coisas estão mais confusas agora. Algumas memórias perdidas. Nada que um bom esforço não recupere.
E é com esse esforço que tentarei me lembrar do que já se passou.
Onde parei?
Ah, 3ª vitima.
Depois que coletei mais 10 digitais para minha coleção senti uma sede tremenda por mais sangue.
Mais, mais! Dizia o monstro em mim. Aquela sede me sufocava. Estava à espera de mais um sonho. Pedia para que algo aparecesse em meus sonhos.
E um dia ela veio. Um sonho tão conturbado e violento que me encolhia dentro de mim. Suava de medo em pleno sonho. Algo tão aterrador que não sinto prazer algum em repetir.
Em meus sonhos eu ouvia gritos.
Cada vez mais altos, mais estridentes, mais dolorosos.
Sigo os gritos, penso em voltar. Não há volta.
É apenas um sonho. Digo para mim. Mas soava tão real.
Então a vejo.
Amarada em uma cadeira. Uma câmera à sua frente. Vejo o sangue escorrendo de suas mãos. A ausência de um dedo me chama atenção. Dois homens riem. O que estaria acontecendo.
O homem sorri para câmera, outro grito de dor é lançado ao ar. Menos um dedo. Menos dois dedos. Menos 3 dedos.
Os gritos ecoam em minha cabeça.
Então acordo. Sinto o prazer do monstro. Ele também assistira aquele sonho comigo. Partilhou de meu medo. Desafia-me.
Foi apenas um sonho. Repito até que se torne um mantra em minha cabeça. Eu sei que não foi.
O monstro também.
"Cada hora fere, a última mata"
domingo, 11 de janeiro de 2009
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