"Cada hora fere, a última mata"

sábado, 18 de outubro de 2008

4ª Vitima: 1º erro.

Minha vítima acorda, estou na sua frente, pronto para começar.

Meu maior erro foi sempre deixar as pessoas falarem mais, sempre as escutei muito. Isso me fazia pensar mais nas minhas ações, e muitas vezes simplesmente não agir.

O homem tenta gritar. Não com sua boca vedada com um pano. Vê-lo tão indefeso me faz sentir no controle. Se lhe desse a chance, ele me emploraria pela vida, me ofereceria tudo o que tinha.

Eis a irônia da vida, só percebemos que ela é só uma quando estamos prestes a perde-la.

A figura patética chora. Como se fosse me comover. Não posso perdoar um homem que mataria com a mesma frieza que eu chorar. É bela minha hipocrisia. Mato aquele que iria matar. Com uma diferença: troco uma vida por 2 ou mais vidas. Aquele homem destruiria a vida de uma mulher, fosse o motivo que fosse, e aquela mulher destruiria a vida de outra pessoa. Nada mais justo do que matar um, para que dois vivão.

Meu senso de justiça chega a me fazer rir. Enquanto o monstro estiver no controle ele será a balança da justiça. E eu apenas seu instrumento.

Agora tenho um material mais adequado para meu ritual. Agora tomo todos os cuidados possíveis. Desta vez tenho uma luva, um estilete, um cutelo, e uma faca. Todos novos. Aqueles instrumentos eram simples utensílios de casa. E agora eram armas.

O cutelo era minha arma predileta, mas só soube disso depois de usa-lo pela 1ª vez. As facas em minha casa estavam sem fio, mas o cutelo estava impecável. O comprei para uma reunião de amigos na minha casa, para cortar carne.

(Irônia?)

Por ter uma lamina maior, ele é mais pesado, e em mãos experientes era preciso e fatal. Para cortes como os das digitais era necessária precisão perfeita. O corte é feito entre a falanginha e a falangeta, na ligação dos ossos. Como não tinha tempo o corte devia ser feito rápido. Cutelo perfeito.

Retiro a venda da boca de minha vitima, suas ultimas palavras seriam preciosas. Logo me pergunta quem sou.

Não respondo.

Me pergunta onde estamos.

Não respondo.

Entra em desespero e me pergunta o porque.

Corto sua garganta de fora a fora.

Ele me olha com extrema dor e morre. Silenciosamente.
Então eu o respondo, que estamos em uma obra abandonada perto de minha casa. E que o matei porque ele tentaria matar uma pessoa, e iria arruinar muitas mais vidas.
Ele não contesta meus motivos. Pergunto se esqueci de responder alguma pergunta, ele não me diz nada. Minha vitima está se portando mau. E é hora das despedidas.

Corto primeiramente suas digitais. Aquilo me faz relembrar da 1ª vitima. Separo as digitais e as guardo. Me despeço de meu novo amigo. Escondo o corpo em qualquer lugar. Por sorte será encontrado em alguns meses.
Desta vez guardo as digitais. Meu metódo era rústico, mais não sabia que continuaria com aquilo. Por isso comecei a pensar em quão arriscado seria se não tomasse precações para não ser pego. O monstro ainda está no controle.

Ele mesmo me guia para casa. Lá congelaria as digitais no freezer da noite para o dia, e logo de manhã daria um jeito nela. Não queria me afastar de minhas preciosidades. Mas quando chego, Julia está a me esperar. Seus olhos cheio de ternura não a deixam de mostrar que estava preocupada. O monstro foge sem olhar para trás. E novamente se esconde dentro de mim. Temos que um dia ele não fugira mais. Devo tomar providências para que isso não aconteça. Digo a Julia que estava bebendo com a amigos, ela pergunta que embrulho era aquele em minhas mãos. Digo que é surpresa para o outro dia. Ela pergunta se dirigi bebado. Respondo que ainda estou um pouco fora de mim. Se dissesse o contrário seria pior, sei disso.

Errei ao julgar que o corpo demoraria a aparecer. E errei ao pensar foi tudo perfeito, sem digitais, sem nada para trás. Mas esqueci que meu passado poderia voltar. Para o povo ganho um apelido:

O Ladrão de Digitais.