Às vezes sinto um pouco de medo.
Medo de mim.
Medo do monstro.Tantas vezes eu me confundia com ele. Tanto de mim que estava em cada ato dele. Tanto dele que estava em tudo que eu fazia.
O cômico era sua presença constante. Ao ver televisão ele assistia televisão comigo.
Em silêncio.
Aguardando o que eu queria esquecer.
Aguardando o sinal verde para começar a se movimentar. Queria meu coração que isso não acontecesse.
Lei de Murphy.
"-Jovem filha de um grande empresário é seques..."
Desligo a televisão. Tarde de mais. Ligo-a novamente.
"-...a policia suspeita de dois ex-funcionários da empresa..."
Nenhuma novidade...
Pra mim.
Espero que ela não toque violão.
O importante agora é descobrir onde ela pode estar. O monstro desperta.
Os dias se passam e os noticiários falam somente do seqüestro. E graças a eles tenho uma pista da onde pode estar a garota.
A policia acredita que sabe onde está a garota. Eles seguem a lei.
Eu não.
Começo a me preparar para o embate.Facas, mascara, roupa reforçada.
Antes de ir para meu trabalho beijo Julia e as crianças com carinho, como se fosse a ultima vez que fosse vê-los.
Talvez seja.
Levo comigo minha pasta e uma pequena mala. Saio de um trabalho e me dirijo a outro. Hora de relaxar.
Ao chegar ao local que provavelmente estará a garota troco minha roupa e me preparo.
Paro de resistir ao monstro e deixo tudo em suas mãos.
Hora de colocar a mascara. Agora nem eu sei mais quem sou. Atravesso o jardim com calma e sem fazer barulho. Vejo uma luz acessa no que deve ser a cozinha. Caminho até a janela e olho de relance.
Vejo um homem baixo, de barba a fazer, exatamente como o jornal descrevia. Procuro a porta.
Lei de Clark.
A porta estava aberta. Abro-a com o mínimo de barulho. O homem estava parado exatamente de frente para a porta.
Com a faca já em minhas mãos ataco-o da maneira mais rápida possível. Ele tenta se defender.
Em vão.
Com um pouco mais de calculo consigo acertar seu pescoço.
Seu braço quase atrapalha meu ataque.
Se eu não estivesse usando um cutelo. Se não fosse o monstro a atacar.
O homem tenta gritar. Tenta.
Acreditando que o barulho não denunciasse minha presença começo a vasculhar a casa, a procura do segundo homem. Depois iria procurar a garota.
Acho a garota primeiro.
"Cada hora fere, a última mata"